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Sunday, July 12, 2009

Muros de tijolo

A água está boa, e nós dois mergulhamos de cabeça. Nosso senso prático, e também experiências passadas estão nos dizendo pra ir com calma. Na verdade foi a distância que nos ajudou a manter os pés no chão. Talvez a gente não tivesse se envolvido tão profundamente se a gente tivesse contato físico logo no começo. Mas a gente estava muito longe um do outro, e só o que a gente podia fazer era conversar.

E nós conversamos! E o encantamento começou! E a gente queria cada vez mais. Passamos a mandar às vezes mensagens com apenas uma linha, só pra alimentar o vício. Um email só pra dizer bom dia. Um email só pra dizer que estava pensando no outro. Ao mesmo tempo, a gente estava construindo a fundação de um relacionamento que se tornou maior que a distância entre nós, maior que as barreiras que a gente teve que vencer, maior do que dois anos de emails e telefonemas. Maior que os conselhos de amigos que diziam que isso nunca ia dar certo.

A expressão "amor verdadeiro" parece um clichê tão banal, ilusão tola de quem quer se enganar e fatalmente vai acabar em decepção. Eu o Dave mesmo nos surpreendíamos cada vez que olhávamos pra trás e nos dávamos conta de que o amor continuava crescendo dia após dia. E eu quero manter esse amor vivo, e quero que ele sirva de inspiração para outros amantes.

Eu acabei de ler "A Última Lição". No livro o autor fala dos muros de tijolo (Me perdoem se a tradução não é exatamente como está no livro, eu li a versão em inglês.). Ele diz que os muros não estão lá pra nos manter do lado de fora. Eles estão lá pra que a gente possa provar o quanto a gente está disposto a fazer pra conquistar alguma coisa. Eu e o Dave vencemos vários muros. E eu tenho muito orgulho do que a gente conquistou.

O Amor é uma Droga Poderosa

Relendo esses emails eu vejo como as coisas evoluíram rápido entre mim e o Dave. A gente estava como que vivendo dia a dia, uma vida monótona e sem propósito. Nós não amávamos ninguém, e ninguém nos amava.

Uma vez alguém me perguntou qual era o meu objetivo na vida. Não o propósito de Deus pra mim, não o meu papel no grande esquema das coisas, mas o que eu queria conquistar na minha vida, o que faria a minha vida completa. Não foi fácil olhar pra dentro de mim procurando por uma resposta, mas depois de descartar todas as preocupações sobre o julgamento dos outros, a resposta era simples. Eu queria amar e ser amada.

Amar foi a parte fácil. Eu já amei varias vezes, mas eu nunca tinha sido amada. Ninguém, antes do Dave, tinha se dado ao trabalho de olhar as minhas memórias dolorosas e desejar que ele estivesse lá pra me confortar. Ninguém tinha olhado o caminho que eu tracei até chegar ao que eu sou hoje e visto beleza em mim através de todas as minhas experiências.

E aí me aparece esse sujeito vindo do outro lado do mundo. E ele está tão faminto quanto eu de se mostrar e ser amado por tudo o que ele é.

Nesses primeiros emails a gente estava como que testando as águas pra ver se era seguro mergulhar. E a água era tão convidativa! Logo a gente mal podia esperar pra ver o que ia estar na nossa caixa postal no dia seguinte. Nós queríamos mais, e nós tínhamos uma vida inteira de pensamentos e sentimentos pra compartilhar.

E quanto mais a gente compartilhava, mais a gente se sentia aceito e bem-vindo.

Monday, July 6, 2009

Cinco meses

Descobri que o tempo não faz a dor da perda diminuir. Você só passa a ser amigo da dor, ela passa a ser sua companheira…

O coração é como uma casa, com diversas salas. Cada sala representa um aspecto da sua vida, sua familia, seu trabalho, seus medos, seus amores, suas crenças… Todas essas salas tem portas que dão acesso às outras. Quando o seu parceiro morre, a dor é mais intensa, porque onde quer que você esteja, você pode ver as portas abertas para a sala que representava vocês dois. Então aos poucos essas portas vão se fechando, porque elas não estão mais sendo usadas. Mas aquela sala vai sempre estar lá, com os seus sentimentos e as suas memórias, com a história daquele amor, e de vez em quando você vai visitar aquelas memórias. A dor não é necessariamente uma coisa ruim. Ela é uma prova de que aquele tempo da sua vida foi real e intenso, e que valeu a pena ser vivido.

A vida segue em frente, e você volta a circular entre as salas daquela casa em que ainda há vida. Mas aquela porta vai sempre estar lá, e de vez em quando você para ali e sorri, lembrando de todas as coisas boas vividas. Ou você vai pensar em todos os planos que tinha, e ficar triste porque aquilo tudo foi interrompido. Às vezes você vai se sentir culpada quando se da conta de que não visitou aquela sala o dia todo, a semana inteira.

Minha vida segue em frente, mas de uma certa forma eu estou trazendo o Dave comigo. Não quero esquecer, não quero deixar ele pra trás. Quero pensar nele com amor, quero me sentir feliz por ter amado e sido amada, quero confiar que um dia a gente vai estar junto de novo.

Valeu a pena.